Nova Friburgo

O dado histórico a seguir foi retirado do Livro "Uma História em Quatro Tempos", 1a Edição, de Carlos Rodolpho Fischer, Exemplar no 556, Editado pela Fábrica de Rendas Arp S.A. em junho de 1986 por ocasião de seu 75o aniversário de existência. Sua tiragem foi de 6.000 exemplares.

Os Suíços

Mapa do Município de Nova Friburgo. Biblioteca nacional do Rio de Janeiro. Seção de Iconografia.


A colonização suíça teve-se pois, além de serem um povo conhecido por seus excelentes agricultores e pecuaristas, também eram reconhecidos por sempre demonstrarem fidelidade aos países que os acolhiam.

Mais que uma simples colonização, este foi um passo importante para a abertura dos portos, atraindo para o Brasil um outro tipo de população, que até então era compostas por indivíduos "sem eira nem beira", escravos e condenados.

Em 2 de maio de 1818, D. João VI respondeu por carta ao então Presidente da Confederação Suíça consentindo a vinda dos colonos e em 16 de maio, aprovou as condições para o estabelecimento da Colônia Suíça, já aceitas por Nicolau Gachet.

A princípio, a vinda dos colonos estava programada para Santa Cruz (Hoje, Zona Oeste do Rio de Janeiro), na fazenda do próprio D. João VI, porém o clima das serras teve importante peso na decisão de troca do destino, neste caso, para a Fazenda do Morro Queimado (era uma das várias fazendas da região do município de Cantagalo, por volta de 1800 a 1820. Região regada pelos rios Bengalas e Cônego, que nascem dos rios Canudos e do Queimado e confluem no Rio Grande, que deságua no Paraíba. Produzia milho, feijão, trigo, centeio, batatas, frutas tropicais. De clima salubre, a temperatura chegava no máximo aos 19 graus no verão e chegava a zero grau no inverno.), que foi adquirida por lei do Monsenhor Almeida. Esta determinação também adquiriu terras adjacentes à fazenda, pertencentes a Manoel de Souza Barros e José Antonio Ferreira Correa Dias.

Enquanto estas medidas eram tomadas no Brasil, o representante suíço, Sebastian Nicolau Gachet, após ter firmado o compromisso com o então Ministro do Interior do Brasil, Thomaz Villanova Portugal, iniciou logo os trabalho de convencer seus patrícios que a vida no Brasil era viável e convidativa, o que foi tremendamente facilitado, depois de dois anos de de grandes dificuldades na Europa (Leia o texto sobre o Monte Tambora no final desta página).

Escrevendo na "Gazette de Lausane", Gachet afirmava:

"O clima convém perfeitamente aos europeus. A terra é de pasmosa fertilidade. Tudo pega de estaca. Qualquer ramo cortado metido na terra pega. Toda a casta de criações se multiplica em proporção à fertilidade e à benignidade do clima".

Em carta para ao Monsenhor Jenny, Bispo Diocesano de Fribourg, em 8 de maio de 1818, Gachet mencionou outras vantagens, tais como despesas de viagem pagas, alojamentos, terras, animais e subsídios. Além destas e outras, acompanhariam o grupo 3 ou 4 clérigos, 2 médicos, 1 farmacêutico e 1 veterinário.

De início, em 4 de julho de 1819, 1.100 imigrantes (homens, mulheres, velhos e crianças) sairam do Porto de Estavayer. O Itinerário marcava Soleure e Basilea, onde eles desceram o Rio Rheno até a Holanda, para em Rotterdam embarcar para o Brasil. Esta viagem foi feita no período de 11 de setembro a 11 de outubro de 1819.

Àqueles 1.100 imigrantes, durante esta jornada até Rotterdan, novos imigrantes se juntaram ao grupo, elevando o número de pessoas para 2.003, das quais 213 morreram durante toda a viagem.

Os suíços vieram da Europa para o Rio de Janeiro em 7 navios, a saber:

Navio

Comando

Passageiros




Daphne

Capitão Keller

192

Delby Eliza

Capitão Spragel

233

Ucrania

Capitão Bock

437

Elisabeth Marie

Capitão Struyk

228

Heureux Voyage

Capitão Van der Carer

437

Deux Catherine

Capitão Both

357

Camila

Capitão Tripensee

119

Colônia suíça de Nova Friburgo retratada por Debret por volta de 1826.


Chegando na Vila de Nova Friburgo, foram organizados três conjuntos habitacionais: um na Praça da Justiça, também conhecida como Pelourinho, (hoje Praça Marcílio Dias, ou Paysandú), outro onde se localiza a atual Praça Getúlio Vargas e o terceiro junto a atual Praça 1o de Março, no bairro Village.

Hoje são poucos os descendentes daquele grupo de colonos que ainda vivem na região, contudo, aquela odisséia marcou época e mereceu das autoridades e representantes dos dois países o desejo de perpetuar os laços entre Fribourg e Nova Friburgo através da criação de uma Associação que mantém um intercâmbio cultural entre as duas cidades.