Nova Friburgo

O dado histórico a seguir foi retirado do Livro "Uma História em Quatro Tempos", 1a Edição, de Carlos Rodolpho Fischer, Exemplar no 556, Editado pela Fábrica de Rendas Arp S.A. em junho de 1986 por ocasião de seu 75o aniversário de existência. Sua tiragem foi de 6.000 exemplares.

Os Alemães

Estampa de J.J.Steinmann (1832) da Colônia Suíça em Nova Friburgo (RJ), no Morro Queimado, encontrada por Joaquim Fernandes Frauches, num sebo em Porto Alegre (RS).


A colonização alemã aconteceu em Nova Friburgo devido a alguns fatores. Estes alemães, agricultores evangélicos de Kirnbecherbach, trazidos pelo Major Scheffer, estavam destinados às colônias do norte, mas o abandono, por parte dos suíços de Nova Friburgo, foi gerada uma resolução pelo governo da época para enviá-los para cá.

Parte deste grupo havia partido da Europa no navio ARGUS, em 19 de julho de 1823, chegando ao Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1824. A outra parte partiu no CAROLINA, em 18 de dezembro de 1823, chegando ao Rio de Janeiro em 15 de abril de 1824.

Quando a decisão de vir para Nova Friburgo foi tomada, eles trilharam os mesmos caminhos dos colonos suíços, chegando em 03 de maio de 1824. Cabe deixar registrado aqui que toda esta demora (de quase 3 meses para o primeiro grupo, que foi o que mais aguardou) ocorreu devido à legislação vigente no Brasil, no que se referia a não católicos. Com a promulgação em 25 de março de 1824 da Constituição, este problema foi resolvido. No seu artigo 5o determinava:

"Art. 5.o A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas, com o seu culto doméstico ou particular em casas para isto destinadas, sem forma alguma exterior do templo".

Nova Friburgo é a sede da mais antiga comunidade Luterana do Brasil e o Pastor Sauerbronn, sem dúvida, uma das figuras mais importantes do grupo de colonos que para aqui vieram.

Podemos destacar em 30 de maio de 1824 o registro do primeiro casamento protestante e em 06 de junho de 1824, o primeiro batismo, segundo as palavras do Pastor J. E. Schlupp, por ocasião do Sequicentenário da Colonização Alemã no Brasil:

"Em 1827, construíram o seu primeiro Templo, na então 'Praça do Pelourinho', mas as autoridades locais mandaram demolir o mesmo. Somente em 1857 foi possível construir uma igreja perto do local da anterior.

Obedecendo as leis vigentes, não tinha torre, nem sinos e nem nada que a diferenciasse de outras casas".

Assim como os suíços, os alemães sentiram a falta de infra-estrutura para acolhê-los. As terras que lhes foram destinadas eram ruins e não haviam estradas à altuira das necessidades. Muitos deles acabaram voltando para o Rio de Janeiro ou deslocando-se para outras regiões mais férteis.